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Estudo complementar · Marco 03

Voltar começa com um passo

15 Elul 5786 · 28 de agosto de 2026

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Texto

Este estudo acompanha o card do Marco 03. Aqui começamos a tratar diretamente de Teshuvá, uma das palavras centrais de toda a caminhada até Yom Kipur.

1. O QUE ESTE MARCO QUER ENSINAR

Até aqui fizemos duas descobertas.

Primeiro: HaShem está próximo.

Depois: confiar nEle não fica apenas na ideia; Emuná começa a aparecer como fidelidade.

Agora chegamos à palavra que muda a direção da caminhada:

תְּשׁוּבָה

Teshuvá

Em português, muitas vezes traduzimos como “arrependimento”.

Mas o sentido mais direto da palavra é:

retorno.

Isso é importante.

Uma pessoa pode sentir culpa e continuar exatamente no mesmo caminho.

Teshuvá começa quando a consciência se transforma em direção.

Não basta perceber:

“Estou longe de onde deveria estar.”

É preciso começar a voltar.

2. PALAVRAS DO MARCO

Teshuvá — תְּשׁוּבָה

Retorno. No contexto espiritual, voltar-se para HaShem e corrigir a direção da vida.

Shuv — שׁוּב

“Voltar”, “retornar”. É a raiz verbal ligada à ideia de Teshuvá.

Vidui — וִדּוּי

“Confissão”. Mais adiante veremos seu lugar dentro do processo de Teshuvá. Neste Marco ainda não estamos tentando antecipar todas as etapas.

3. A TORÁ FALA EM VOLTAR

Deuteronômio 30 descreve afastamento, consequência e, depois, retorno.

Em Deuteronômio 30:2 aparece a linguagem de voltar a HaShem.

A ideia não é apenas sentir pesar pelo passado.

É mudar de direção.

Mais tarde, Rambam organiza o processo de Teshuvá em Hilchot Teshuvá 2:2 e explica que ele envolve abandonar o erro, afastá-lo do pensamento, decidir não repeti-lo, lamentar o passado e expressar verbalmente aquilo que foi reconhecido.

Não precisamos praticar tudo isso de uma vez hoje.

O primeiro passo é mais simples:

parar de caminhar na direção errada.

4. DA TRADIÇÃO JUDAICA — REISH LAKISH E O PODER DO RETORNO

Em Yoma 86b, Reish Lakish faz uma afirmação impressionante sobre Teshuvá.

Ele ensina que existe uma diferença entre retornar apenas por medo e retornar por amor.

Ao falar da Teshuvá feita por amor, a passagem apresenta uma imagem radical: até transgressões deliberadas podem ser transformadas em méritos.

Isso não significa que o erro deixa de ter sido erro.

Também não significa que consequências ou reparações desaparecem.

O ensinamento aponta para algo mais profundo:

Teshuvá pode transformar a relação da pessoa com o próprio passado.

Aquilo que antes era apenas queda pode se tornar o ponto a partir do qual ela passou a viver de outra maneira.

Em outras palavras:

HaShem não exige que você finja que nunca se desviou.

A tradição judaica leva a sério a possibilidade de realmente voltar.

Isso dá uma dimensão de esperança ao conceito.

Teshuvá não é apenas acusação.

É possibilidade de transformação.

5. VOLTAR NÃO É O MESMO QUE SE CONDENAR

Para quem está começando, essa diferença precisa ficar clara.

Teshuvá não é uma competição para descobrir quem consegue se sentir pior.

Culpa pode despertar consciência, mas culpa sozinha não corrige uma direção.

A pergunta útil é:

“O que precisa mudar agora?”

Por isso o Marco pede apenas um passo concreto.

Não é necessário produzir hoje uma lista interminável de falhas.

A caminhada ainda terá um momento próprio para exame mais profundo.

Hoje o objetivo é escolher uma direção.

6. PARA QUEM ESTÁ CHEGANDO AGORA

Se você é cristão e está acompanhando esta preparação, talvez a palavra “arrependimento” seja muito familiar.

Aqui vale aprender uma nuance judaica importante:

Teshuvá é retorno, não apenas remorso.

Você não precisa adotar todas as práticas judaicas de penitência ou confissão para compreender esse princípio.

Pode começar perguntando honestamente:

“Em que área eu sei que estou caminhando de um jeito que preciso corrigir?”

E depois:

“Qual é o primeiro passo possível na direção contrária?”

Isso já permite participar da proposta deste Marco sem fingir uma identidade religiosa que não é a sua.

7. DÚVIDAS COMUNS

Teshuvá significa sentir culpa?

Não. Culpa pode fazer parte da percepção do erro, mas Teshuvá exige movimento. O centro é retorno e mudança de direção.

Preciso contar meus erros para outra pessoa?

Nem todo erro precisa ser narrado para terceiros. Quando houver dano contra outra pessoa, reparação e pedido de perdão terão lugar próprio mais adiante. Este Marco pede primeiro honestidade diante de HaShem e mudança concreta.

E se eu já tentei mudar antes e falhei?

Isso não impede uma nova Teshuvá. O fato de uma tentativa anterior não ter sido perfeita não transforma o retorno em algo inútil.

Preciso prometer que nunca mais vou errar?

Não faça promessas grandiosas só para produzir emoção. Escolha uma mudança real e responsável. A Teshuvá séria é mais importante do que declarações impossíveis de sustentar.

Isso já me prepara para o jejum?

Sim, mas indiretamente. O objetivo é chegar a Yom Kipur entendendo que o jejum não substitui mudança de vida. Primeiro aprendemos a voltar.

8. PARA VIVER ESTE MARCO

Escolha uma área concreta.

Pode ser:

  • uma palavra que você precisa parar de repetir;
  • uma atitude que machuca alguém;
  • uma responsabilidade que está sendo negligenciada;
  • um hábito que precisa diminuir;
  • uma prática boa que precisa ser retomada.

Agora escreva duas frases:

“A direção em que estou indo é...”

“O primeiro passo de retorno será...”

Depois faça esse primeiro passo hoje.

Não espere sentir-se completamente preparado.

Teshuvá começa quando a intenção ganha movimento.

9. UMA PERGUNTA PARA LEVAR CONSIGO

Se eu realmente acredito que voltar é possível, qual desculpa eu preciso parar de usar para continuar no mesmo lugar?

Leve essa pergunta até o próximo Marco.

10. PONTE PARA LEITORES CRISTÃOS

Esta seção não define Teshuvá para o Judaísmo. Ela oferece apenas uma imagem familiar da Brit Chadashá para quem vem do cristianismo.

Na parábola de Lucas 15, o filho que havia se afastado chega a uma decisão concreta:

“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai...”

Lucas 15:18 · ACF

A conexão com este Marco é muito simples.

Ele não fica apenas pensando que se afastou.

Ele se levanta e começa a voltar.

É essa imagem de movimento que interessa aqui.

Não usamos a parábola para definir a halachá ou o conceito judaico de Teshuvá. Ela funciona apenas como uma ponte familiar para o leitor cristão perceber a diferença entre remorso e retorno.

11. REFERÊNCIAS PARA CONFERÊNCIA

  • Deuteronômio 30:1–3
  • Isaías 55:7
  • Rambam · Mishneh Torah, Hilchot Teshuvá 2:2
  • Talmud Bavli · Yoma 86b · ensinamentos de Reish Lakish sobre Teshuvá
  • Lucas 15:18 · ACF · ponte para leitores cristãos
  • Calendário: 15 Elul 5786 · 28/08/2026

PARA O PRÓXIMO MARCO

Agora sabemos que é possível mudar a direção.

O próximo passo será olhar para o próprio caminho com verdade:

Cheshbon HaNefesh — balanço da alma.

Marcelo Trindade

@marcelositr

devnux.com.br

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